Caraá sempre soube que o turismo é a sua grande joia.
Rios, cachoeiras, balneários, mananciais, pousadas, uma ampla rede de leitos e uma natureza que muitos municípios gostariam de ter. Não à toa, a atual administração se elegeu afirmando que o turismo seria a mola mestra do desenvolvimento do município.
Mas a realidade, passado mais de um ano de governo e com o verão já em andamento, é outra — e preocupante.
Os balneários estão abandonados:
❌ sem limpeza
❌ sem recolhimento de lixo
❌ sem roçada
❌ sem qualquer investimento em infraestrutura
As estradas estão em péssimo estado de conservação. A principal via de acesso do centro ao Rio dos Sinos, caminho natural para os balneários mais frequentados, está completamente destruída. Isso afasta turistas, prejudica moradores e compromete diretamente a imagem de Caraá.
Não há programação de verão.
Não existe verão cultural.
Não existe calendário de eventos.
Não existe ação de marketing ou promoção turística.
Em pleno verão, Caraá não pulsa. Está parada.
Enquanto isso, o prefeito parece viver em um mundo paralelo. Um governo mais preocupado com a autopromoção permanente do que com a entrega de resultados concretos. Passa os dias viajando por órgãos públicos, tirando fotos ao lado de políticos, como um verdadeiro papagaio de pirata, anunciando obras, recursos e projetos que nunca saem do papel, vendendo uma imagem de grande gestor que simplesmente não corresponde à realidade vivida pela população.
É uma política de aparência, não de resultado.
Muito marketing, pouca gestão.
Muito discurso, pouco trabalho.
E ainda há outro problema grave: além de se exaltar o tempo todo, o prefeito não reconhece nem dá crédito aos colaboradores que efetivamente estão no dia a dia do trabalho, aos servidores e às pessoas que seguram a máquina pública funcionando apesar da desorganização. Tudo vira mérito pessoal. Tudo vira propaganda. Autopromoção 24 horas por dia.
E o mais grave: não se trata apenas de falta de recursos financeiros. Mesmo com orçamento limitado, seria plenamente possível mobilizar o material humano, a criatividade, as entidades, os empreendedores locais e a força da comunidade para construir eventos simples, ações culturais, esportivas e ambientais que movimentassem os balneários e atraíssem visitantes.
O que falta é liderança, planejamento, humildade e vontade política de governar para Caraá — e não para as redes sociais.
Ainda há tempo de corrigir o rumo.
Mas é preciso sair das desculpas, abandonar o espetáculo e assumir responsabilidades. O turismo não se constrói no discurso nem em fotos — se constrói com trabalho, presença e compromisso com o enorme potencial que Caraá possui.
Caraá merece mais.
E o verão não espera.